O Pé plano adquirido no adulto é uma entidade diferente daquela que afeta as crianças.
Surge normalmente após os 50 anos de idade e corresponde a um achatamento progressivo do arco com dor irradiada à face medial da perna. Com a evolução da deformidade a dor pode ser mais intensa na parte lateral e originar até instabilidade do tornozelo.
A primeira abordagem ao tratamento passa pela perda ponderal (nos casos associados a obesidade) e pela utilização de plantares conformados ao pé com apoio do arco longitudinal e cunha supinadora.
Quando estas medidas são insuficientes, o planeamento cirúrgico cuidado é fundamental: é necessário entender as componentes da deformidade (valgo retropé, abdução, subida do primeiro raio), rigidez ou osteoartrose associada e insuficiência das partes moles (tendão tibial posterior, complexo ligamentar spring, encurtamento do Aquiles, etc).
O caso ilustra uma deformidade invulgar, centrada sobre o osso navicular, associada a osteoartrose calcaneo-cuboideia (seta).
Após se visualizar grande degeneração e sinovite do tendão tibial posterior através da tenoscopia, realizou-se a sua limpeza e reparação abertas. Posteriormente realizou-se a artrodese naviculo-cuneiforme modelante (neste caso suplementada com concentrado de medula óssea e enxerto autólogo) e a artrodese calcâneo-cuboideia com interposição de enxerto tricortical, adquirindo bom posicionamento do pé e restauração do arco.
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